segunda-feira, 4 de março de 2024

A Dança do Estilo: Old Money versus Novo Rico

        No intrincado bailado do vestir-se, onde cada peça de roupa é uma nota numa sinfonia de estilo, surge uma distinção notável: a dicotomia entre o "old money" e o "novo rico". Para os homens que almejam transcender modismos fugazes em busca da elegância duradoura, discernir as nuances que definem esses dois estilos é crucial.


        O estilo "old money", uma ode à tradição e ao requinte, é a expressão singular de uma linhagem que valoriza a herança, a cultura e a educação. Os homens que o adoptam não se perdem em ostentação; antes, deleitam-se na subtileza que emana da simplicidade requintada. O traje é um manifesto silencioso de uma linhagem distinta, uma narrativa tecida com materiais nobres e cortes atemporais.


        Distinguir um verdadeiro cavalheiro "old money" exige um olhar mais atento, capaz de ir além do superficial. O segredo reside na forma natural como veste as suas roupas, com uma desenvoltura que só o tempo e a experiência podem conceder. Peças clássicas, como um blazer de corte impecável e uma camisa de algodão egípcio, são escolhas que resistem à volatilidade das tendências, transcendendo gerações.



        O "novo rico", por outro lado, é frequentemente seduzido pelo brilho efêmero e pela ostentação. O seu guarda-roupa pode ser um desfile de logotipos e acessórios chamativos, mas a verdadeira elegância clássica não se encontra nesse espectáculo de extravagância. O "novo rico" busca afirmar a sua presença através do luxo ostensivo, enquanto o verdadeiro cavalheiro "old money" se expressa com uma sobriedade que desdenha a ostentação despropositada.


        Ao contemplarmos os elementos específicos que definem a elegância clássica do "old money", a importância da alfaiataria torna-se evidente. Um fato meticulosamente adaptado é como uma segunda pele, realçando a postura e a confiança do cavalheiro. Tecidos de qualidade, cores sóbrias e cortes atemporais são as peças-chave que compõem o enigma da elegância duradoura.


        Outro pilar fundamental do estilo "old money" é a atenção meticulosa aos detalhes. Os homens que personificam este estilo reconhecem a importância de acessórios discretos, como um relógio de pulso clássico, botões de punho requintados e um lenço de bolso cuidadosamente dobrado. Cada detalhe é uma peça no puzzle da elegância, e é nesse jogo de sutilezas que o cavalheiro "old money" se destaca.


        Em última análise, a elegância clássica é um compromisso com a atemporalidade e a qualidade, uma afirmação silenciosa de uma linhagem que transcende o efêmero. Os homens que optam pelo estilo "old money" abraçam a tradição e a cultura como bússolas orientadoras, desdenhando a ostentação vazia em favor de uma sofisticação que se aprofunda com o tempo. Pois, como nos lembra a sabedoria ancestral, a verdadeira elegância é uma herança que se cultiva, uma expressão imortal do refinamento que se perpetua através das eras.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Do Charme à Mesa - O Cavalheirismo no Dia dos Namorados




Queridos leitores, nobres cavalheiros e apreciadores da elegância masculina, preparem-se para uma leitura regada a estilo, charme e, é claro, uma pitada do bom e velho cavalheirismo à moda antiga. Hoje, mergulharemos no universo do Dia dos Namorados, desbravando os caminhos que levam ao coração de suas amadas com a classe que só os verdadeiros cavalheiros possuem.


O Renascimento do Cavalheirismo Moderno:


Numa época em que o mundo gira mais rápido que um tango argentino, é fácil se perder nas intricadas danças da vida cotidiana. No entanto, meus caros leitores, nunca subestimem o poder do cavalheirismo, uma arte perdida que, quando ressuscitada, transforma simples momentos em memórias eternas.


A Importância da Etiqueta no Dia dos Namorados:


Iniciemos nossa jornada pelo terreno delicado da etiqueta. Ser um cavalheiro moderno no Dia dos Namorados não se trata apenas de abrir portas e puxar cadeiras, mas de envolver sua amada num manto de atenção e cuidado. Lembre-se, a gentileza está nos detalhes. Uma flor, um elogio sincero, gestos simples que transcendem o comum.


Presentes que Falam Mais que Mil Palavras:


A escolha de presentes, meus caros, é uma arte que requer maestria. Fuja dos clichês desgastados como se fossem uma gravata fora de moda. Opte por algo que reflita os gostos e a personalidade da sua amada. Uma joia delicada, um livro raro, ou até mesmo um jantar à luz de velas preparado por suas próprias mãos – o importante é o toque pessoal, a expressão do seu carinho em forma de presente.


Elegância Vestida:


Não podemos ignorar o papel crucial que a vestimenta desempenha no jogo do amor. Escolher o traje perfeito é como selecionar as palavras certas numa poesia: cada peça deve harmonizar-se com a outra, criando uma sinfonia visual que encante os olhos da sua companheira. Opte por um traje que seja um reflexo da sua personalidade, mas não esqueça de adicionar um toque de sofisticação para a ocasião.


História e Tradições:


Entendendo o contexto do Dia dos Namorados, vamos além do óbvio. A história da celebração remonta séculos e culturas diversas. Descubra as tradições ao redor do mundo, e perceba como pequenos gestos de amor ganharam significados variados ao longo do tempo. Uma viagem no tempo que acrescenta um toque de erudição ao seu repertório de conhecimentos.


Neste Dia dos Namorados, convido todos os cavalheiros a se elevarem a novos patamares de elegância. Sejamos os modernos poetas do cavalheirismo, escrevendo versos de amor com gestos, presentes e, é claro, com estilo. Brindemos ao amor, à elegância e à arte eterna de conquistar corações com classe.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Elogios à Elegância: Desvendando o Casaco Acolchoado Husky

No reino da moda masculina, encontra-se algo discreto, aparentemente despretensioso, mas fundamental. Este elemento não se incomoda ao ser tratado com simplicidade, pois não carrega qualquer vergonha das suas origens. O genuíno casaco husky, mais conhecido em Portugal pela simples designação de casaco alcochoado, deve o seu nome à raça canina que o inspirou. Idealizado por um tal Stephen Guylas, coronel americano de raízes húngaras incumbido do desenho de indumentária militar. Já reformado em solo britânico nos anos sessenta, esboçou esta peça para a prática do seu desporto predileto, o tiro. O sucesso foi imediato, propagando-se pela Europa continental nos anos 80 e, gradualmente, caindo em desuso. No entanto tem reaparecido nas colecções de várias marcas na segunda década do século XXI.




Quem se importa com quem o veste? O homem de requinte avalia o objeto em si, e o casaco acolchoado apresenta argumentos de peso.

Prático pela sua leveza e solidez, pode ser compactado numa bola no fundo de uma mala para enfrentar incertezas meteorológicas, pronto a ser usado quando necessário. Lavável na máquina, embora a minha experiência me sugira que é preferível confiá-lo a uma lavandaria a seco.

Convive facilmente, adaptando-se a diversos visuais – formal: fato escuro e gravata; informal: casaco de tweed, calças de fazenda, bombazina ou chino de algodão; casual: camisola ou cardigã, sem gravata ou com lenço, ou sem camisola, camisa, calças de algodão ou ganga. Adapta-se igualmente ao ambiente: obrigatório para rus in urbe. Por fim, ajusta-se às condições climáticas. O seu tecido hidrorrepelente enfrenta com bravura as gotas que por vezes salpicam o verde Minho. Bastante tépido, é perfeito para meia-estação e quase sempre suficiente – desde que cubra indumentária mais grossa – para desafiar o rigoroso inverno.

Esteticamente apelativo, com a gola de veludo cotelê, formato quadrado e comprimento que oculta totalmente uma peça (com três quartos), e fendas laterais fechadas com botões de pressão. O seu acolchoamento confere-lhe uma textura agradável, assim como o ligeiro brilho da fibra sintética.

Fantástico, apresenta-se em diversas cores, mas a minha preferência recai sobre o azul escuro: uma escolha que se coaduna com a discrição inata, penso eu.



Económico, esta qualidade torna-o ainda mais apetecível! O casaco Liddesdale da Barbour pode ser adquirido por cerca de cento e vinte libras em Inglaterra, mais alguns no Continente.

Quanto a desvantagens, apenas vislumbro uma após uma análise atenta: o casaco acolchoado (pelo menos o Liddesdale) carece de um bolso interno suficientemente amplo para acomodar uma carteira de dimensões padrão. Esta lacuna é tão ínfima que me sinto algo envergonhado por a ter mencionado.


Que casaco ou impermeável oferece a versatilidade e o conforto do casaco acolchoado? Aquele que o descobre questiona-se como conseguiu viver até agora sem ele.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Barba e elegância: A Combinação Perfeita de Virilidade e Estilo.

 


Numa observação diária, percebemos um notável aumento de indivíduos que optaram por ornamentar o rosto com uma barba. Para alguns, esta tendência causa perplexidade. A surpresa ganha destaque quando recordamos que, ao longo dos séculos, as barbas eram a norma. Num passado não tão distante, durante a Grande Guerra, os soldados americanos impuseram o rosto imberbe na Europa: adeus, pelo menos por um longo período, às barbas e bigodes de todas as formas!

Como se o curso do tempo tivesse desenhado um arco, assistimos agora a uma ressurreição gloriosa do estilo facial piloso. Parece que os homens contemporâneos redescobriram uma arte esquecida, uma tradição perdida na névoa da história. A barba, outrora sinónimo de respeitabilidade e sabedoria, ressurge agora como um emblema de elegância rebelde.

Ao examinarmos esta revolução capilar, somos levados a questionar as razões subjacentes a esta transformação estética. Por que, num mundo onde a imagem é moeda corrente, a barba recuperou o seu estatuto de acessório de moda essencial? Será uma manifestação de rebeldia contra os cânones de beleza convencionais, ou antes uma busca consciente por uma masculinidade mais autêntica?


A figura do hipster barbudo desempenhou um papel de destaque no renascimento desta moda facial peluda. As mulheres sentiram-se atraídas por este surto de virilidade, uma reação à exaustão causada pelos homens obcecados com a estética metrosexual da cabeça aos pés. A nossa sociedade, dominada pela espetacularidade e pelos media, prospera na hipérbole, muitas vezes ignorando transições subtis. Um estranho movimento regressivo fez-nos migrar do mutante com um rosto de celuloide de robô para o homem da floresta.

Esta metamorfose não passou despercebida, tornando-se uma declaração de estilo e uma afirmação audaz contra os padrões convencionais de beleza. A barba transformou-se num símbolo de rebeldia tranquila, um distintivo que separa os homens que abraçam a sua autenticidade daqueles que se perdem na monotonia da conformidade.

Nesta incursão pela cultura facial do homem moderno, a imagem do hipster barbudo não apenas influenciou a moda, mas também desencadeou uma mudança na perceção da masculinidade. Da obsessão estilizada à naturalidade desalinhada, a barba emergiu como um ícone de individualidade, desafiando as normas estabelecidas com cada fio cuidadosamente desgrenhado. Estaremos diante de uma revolução capilar que transcende as simples tendências estéticas, ou será apenas uma fase efémera numa era de constante transformação? A resposta reside nos contornos de cada barba, uma história que se desenha em cada pelo facial, desafiando as expectativas e narrando a saga de um homem moderno em busca da sua própria autenticidade.

Importa afirmar, desde já, que a barba é um daqueles elementos que não deixa ninguém indiferente: ou se ama ou se odeia. As críticas que lhe são dirigidas são tão conhecidas como as rugas no rosto de um velho marinheiro, e podemos, de forma divertida, virá-las como se fossem uma luva.

A barba está, sem dúvida, a envelhecer. É um facto incontestável. Contudo, nesse envelhecimento, permite àqueles que se atrevem a desafiá-la testar a sua resistência perante os ditames do tempo: afinal, por que razão haveríamos de querer parecer jovens a todo o custo? Sem a barba, o rosto de Hemingway era, na verdade, desprovido de qualquer nota distintiva; com ela, transformou-se numa verdadeira janela para a alma! Que importa, então, se o grande Ernesto parecia mais velho com a barba do que sem ela!


E assim, como as palavras de um sábio romancista, a barba torna-se não apenas um adorno facial, mas uma narrativa que adiciona profundidade e caráter à história de cada homem que a escolhe exibir. Às vezes, as marcas do tempo são como capítulos de um livro bem vivido, e a barba, nesse sentido, é a tinta que dá cor a essas páginas enrugadas da vida. É uma afirmação audaciosa, um desafio lançado aos padrões convencionais de beleza que nos dizem para esconder as marcas do envelhecimento.

Portanto, abracemos a barba como uma manifestação intrépida da experiência, uma declaração corajosa contra a ditadura da juventude eterna. Afinal, na barba, encontramos mais do que pelos faciais; encontramos uma resistência enraizada na autenticidade e na recusa em ceder ao efémero culto à juventude. Assim como as melhores histórias, a barba envelhece bem, contando-nos, a cada fio grisalho, um conto de sabedoria e coragem. E é assim que, à medida que os anos avançam, a barba se torna não apenas um adorno, mas uma expressão de orgulho e uma declaração contra a tirania do tempo implacável.

A barba, por seu turno, conquistou a sua distinção aristocrática. Sim, há, de facto, uma barba associada à nobreza e à realeza. Dentre os monarcas barbudos, e não me refiro às monarquias dos países árabes, mas sim às do ocidente.

O Rei Felipe VI da Espanha exibe uma barba curta e cuidadosamente aparada. Uma afirmação de regalidade moderna, onde o poder é combinado com a elegância discreta.


Já o Rei Frederico X da Dinamarca opta por uma barba extraordinariamente curta, uma escolha que transmite uma imagem de eficiência e pragmatismo.


Do norte da Europa, o Príncipe Carl Philip da Suécia ostenta uma barba farta e ondulada. Uma expressão capilar que reflete uma mistura de tradição e contemporaneidade.


E, claro, não podemos esquecer do Príncipe Harry do Reino Unido, que mantém fielmente a tradição facial. Uma barba que se tornou parte integrante da sua imagem, uma marca de rebeldia sutil numa família real marcada por protocolos.


Mas e se imaginássemos o Príncipe Michael de Kent sem a sua barba? Parece quase uma tarefa impossível, uma vez que a sua imagem está intrinsecamente ligada à majestosa pilosidade facial que o distingue.


Assim, neste desfile de aristocracias barbadas, descobrimos que a nobreza e a realeza também são adeptas deste adorno capilar. Cada estilo, uma declaração única de identidade, onde a barba se torna uma expressão sofisticada de poder e personalidade. E assim, ao cruzarmos os salões reais, vemos que a barba não é apenas uma moda passageira, mas sim uma tradição atemporal que atravessa as eras, desde monarcas medievais até príncipes contemporâneos.

Num estudo recente, veio à luz que os homens barbudos detêm inegável poder de sedução. Segundo uma investigação da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, as mulheres demonstraram uma clara preferência por homens que não desbravavam a barba há aproximadamente dez dias. No entanto, surpreendentemente, os homens com uma barba por fazer, os quais se distanciavam da navalha por cerca de cinco dias, foram considerados os menos atraentes, numa comparação até mesmo com os seus pares completamente barbeados, como noticiou o Daily Mail.

Os cientistas apresentaram a centenas de mulheres e homens heterossexuais dez fotografias que ilustravam diferentes estágios de crescimento da barba, solicitando-lhes que atribuíssem pontuações com base na atração, masculinidade, saúde e potencial para a parentalidade.

Os homens que optavam por não se barbear durante dez dias conquistaram a preferência das mulheres inquiridas, ao passo que a barba completa obteve as pontuações mais elevadas no que toca ao potencial para a parentalidade, tanto para mulheres como para homens heterossexuais. Os homens com uma barba incipiente revelaram-se menos apelativos em ambas as categorias.

Os investigadores aprofundaram a exploração da perceção da masculinidade pelos seres humanos e dos seus "atributos sociosexuais". Este estudo foi divulgado no periódico "Evolution and Human Behaviour".

Tudo reside na forma como se maneja a barba. Com uma camisa xadrez sobre uma regata, calças de veludo com nervuras pesadas e sapatos desalinhados, ela torna-se um apelo à revolução. Já num visual ultra requintado, o seu lado natural, quase selvagem, cria um contraste do qual aprendemos a esboçar efeitos fascinantes.

Falando de barba, talvez devesse esclarecer: nada de barba de três dias, esse estilo tão popular entre a esquerda caviar e pseudo-artistas. Melhor uma boa barba à la Marx ou Fidel Castro, que revela claramente as intenções, sem enganar ninguém. Aliás, no próximo dia 10 de março, teremos de escolher entre vários barbudos, como Pedro Nuno Santos, André Ventura, José Soaeiro e Rui Tavares. O indeciso Rui Rocha que tanto se esquece ou não de desfazer a barba e os imberbes da AD (Luís Montenegro, Nuno Melo, Gonçalo da Câmara Pereira) ou do PCP Paulo Raimundo. Ou somos barbudos ou não. O meio-termo é quase nada, é um pouco mesquinho. Também não nos referimos às barbas estilo "bode", tão comuns em seguranças, bombeiros ou polícias. Qualquer fantasia exagerada, facilitada pelas modernas tosquiadeiras, deve ser evitada, pois pode ser interpretada como um sinal de coqueteria duvidosa.

Pode-se argumentar: "Muito bem, mas é necessário ousar!" E ousar ter barba nem sempre é fácil no mundo profissional. Contudo, nas suas próximas férias, aproveite a oportunidade, experimente, e verá! Para justificar a sua audácia, pode até lançar uma aposta, sabendo de antemão que está destinada ao fracasso, transformando-a num verdadeiro teste de barba. Afinal, a barba não é apenas um adorno facial; é uma afirmação de estilo, uma expressão de individualidade que, quando feita com audácia, pode desencadear mudanças significativas, até mesmo nas convenções do mundo profissional.




segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

A arte de vestir

 

Esta imagem é verdadeiramente mágica.





Ela atesta, para quem ainda alimenta dúvidas, que vestir-se é, sem dúvida, uma arte.

Reparem, antes de mais, na harmonia das cores. Cada elemento, analisado isoladamente, pode parecer opaco: cinza, bege, azul claro e escuro... Os menos entendidos teriam optado por tons mais claros, pelo menos para a gravata. Contudo, não há tristeza na justaposição e sobreposição destas cores.

Vamos agora aos tecidos: a flanela do fato é excecional – suave e felpuda. Estamos a anos-luz dos miseráveis tecidos frios da moda atual. A gravata, certamente de caxemira, adiciona um toque de requinte. O tweed do casaco é robusto e suave. Os belos botões de chifre harmonizam com a carapaça de tartaruga dos óculos.

Continuemos com as formas: a gola da camisa está no sítio certo – nem muito justa, nem demasiado larga, nem muito alta, nem muito baixa. A sua abertura italiana mantém-se razoável, e as pontas, que o casaco esconde, têm, certamente, o comprimento necessário para equilibrar a altura do nó. Alguns poderiam argumentar que um nó maior preencheria melhor o espaço na gola. A gravata está amarrada de forma simples – quero dizer, com um nó simples; o material é suficiente para criar o volume. O que se revela na parte traseira do traje denota uma largura excecional. E que elegância! Enalteçamos a sombra que nos oferece este vislumbre!

As padrões merecem agora a nossa atenção. São discretos e variados. Listras finas na camisa e na gravata. Listras sobrepostas, mas com um espaçamento diferente. O padrão espinha de peixe no casaco é simplesmente perfeito.

Reparemos, por último, no movimento conferido pela gola levantada, pela gravata ligeiramente torcida e franzida, pelo casaco aberto... E que equilíbrio entre o elegante e o informal: a gravata é escura, mas em lã; o fato trespassado é cinza, mas é utilizado sob um casaco raglan de tweed.

Sem ostentação, sem a preocupação de se destacar.

Mas quem é este verdadeiro artista?

É Bruce Boyer, a quem devemos algumas obras notáveis sobre moda masculina: "Eminently Suitable", "Elegance - A Guide to Quality in Menswear".

Uma referência inigualável.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Antigamente, costumava ser simples

Antigamente, costumava ser simples e poupava-se muito tempo. O homem acordava de manhã, vestia o seu uniforme de trabalho - fato escuro, camisa branca, gravata, e sapatos pretos - e ia trabalhar. Se quisesse assumir um ligeiro toque de originalidade, um pequeno lenço de bolso branco e um relógio de pulso mais sofisticado, eram suficientes. Agora, tal e qual o sexo oposto, temos a preocupação se usamos camisa, pólo ou camisola, com que tipo de calças combinar, sarja, algodão, denim, linho... se deveríamos usar casaco de malha, blazer, ou blusão de couro. Falta pensar por fim se calço mocassins, derbys, ou sneakers. Hoje com tanto informação na ponta dos dedos, com os nossos smartphones, e armários sempre superlotados, parece que muitos homens na verdade não sabem o que vestir.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O EMPOBRECIMENTO DO GUARDA ROUPA MASCULINO




Muito antes da crise financeira, o guarda roupa masculino já vinha a sofrer de recessão. Sobretudo, casaco de interior, colete de fato, chapéu, boné, luvas, gravata, laço, ascot, lenço de bolso, suspensórios... todos estão  tendencialmente a desaparecer. E já nem falo na cana, no relógio de bolso, e outros acessórios.
A evolução é um acto natural. Fazer de forma regular uma limpeza é um acção de higiene. As exigências da vida moderna passam por aqui. O carro encurtou o casaco e faz cair o chapéu; o aquecimento central tornou o roupão e o casaco de interior obsoletos; a nossa sociedade de lazer tornou anacrónicas as vestimentas “sport” de outrora; a forte tendência ao igualitarismo tornou difícil – de certa forma arriscado – o porte de acessórios ostentatórios.
Mas uma questão no entanto permanece: como pode, neste tempo de individualismo exacerbado os recursos vestimentarios  se terem de tal forma enfraquecidos? E já nem falo (para não ser criticado) do abandono da cor em proveito do cinzento e do preto. Os fabricantes podem pôr em relevo a personalização que os meios modernos permitem – por vezes até a preços decentes – mas só se toca em detalhes: as iniciais bordadas ao nível do quarto botão da camisa, os botões das mangas dos blazers que funcionam... “Seja você mesmo”, “mostre quem é”, “você é único”: vários slogans mediáticos que são desmentidos pelo espectáculo da rua. Por todo o lado vemos homens cinzentos, com roupas disformes e sapatos frouxos.

A originalidade passa raramente da soleira da porta. Atrevemo-nos, em casa, indumentárias interessantes, mas, quando temos de sair do aposento, temos logo uma voz a dizer que não é possível – ganha juízo – e desse jeito vestimos de imediato o uniforme igual ao dos outros que não atrairá nenhum comentário.
 
Embora individualista - até em excesso -, a nossa sociedade não sofre da singularidade das pessoas. O seu conformismo de pequeno burguês não tem fundo. Resistir a essa pressão requer coragem e audácia. Então sejamos exímios na afirmação da nossa singularidade.

Seja elegante,

O Ancião